Poemas Indígenas

E agora?

Entre os astecas havia homens reconhecidos por sua sabedoria. Para ensinar as outras pessoas eles utilizavam a poesia. Daí seu nome Tlamatinime, ou “homens com palavras”. Geralmente levantavam questões cósmicas, sobre o sentido do homem na terra, sobre a morte, a verdade e o sofrimento. Aos olhos de hoje, os versos que cantavam seriam considerados tristes e até mesmo metafísicos. Mas eram belos, nessa tensa relação com o céu e com a terra. Seus poemas e cantos são pistas para explicar por que a morte ocupa um lugar tão importante no cotidiano dos mexicanos. (Detalhe da arquitetura Nahuatl, foto: flickr)

Aztecas Suzhou Shanghai, do Bund Bai Juyi, em hangzhou Portas dos jardins de Suzhou Hangzhou e o Lago Oeste

Poemas indígenas

 

 

Não sou eu
Quem faz surgir os vapores
Não sou eu
Quem faz surgir os vapores
Iá, iá, iá, iá.

É o povo do país da fumaça
que faz surgir os vapores
é o povo do país da fumaça
Iá, iá, iá, iá, iá.

Se um dia...

 

Eu não quero uma mulher
De pernas finas, que nem serpente.
De medo,
Ela pode me estrangular.
Eu não quero uma mulher
De cabelos muito longos
Que nem uma braçada de tiririca:
Eu posso neles me perder.

 

Ardência nos olhos

Estou morrendo, mãe,
Me enterre perto de casa.
E quando fizer tortillas,
Chora por mim, mãe.

E se o motivo das lágrimas
Quiserem saber então,
Responde: é a fumaça que vem
Do fogo aceso no chão.

Aztecas, século XVIII e XIX

Indios USA e Canadá

 

Codornas cinzas bem juntinhas,
E mais acima, o coiote que chega a trote
e que para e olha:

Bem juntinhas elas correm, azuladas
enquanto o coiote as olha
De quina.

Coiote Faminto

Em vão, nasci. Ayahue
Em vão deixei a casa de deus e vim à terra. Sou tão infeliz! Ohuaya, Ohuaya!
Queria nunca ter nascido, e que nunca tivesse vindo para a terra. É o que digo. Mas o que se há de fazer? Tenho de viver entre as pessoas? O que, então? Príncipes, me digam! Aya. Ohuaya, Ohuaya!
Tenho de permanecer na terra?

Innuit

Não sou eu
Quem faz surgir os vapores
Não sou eu
Quem faz surgir os vapores
Iá, iá, iá, iá.

É o povo do país da fumaça
que faz surgir os vapores
é o povo do país da fumaça
Iá, iá, iá, iá, iá.

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