Artigos

Multilinearidade, tempo, voz
e espaço em registro mosaico

Em seu Aspectos do Romance, E. Foster dá o exemplo de uma romancista que tentou abolir o tempo em seus romances e “seu fracasso é instrutivo”: Gertrud Stein. Segundo esse crítico, a autora “esmagou e pulverizou seu relógio e espalhou seus fragmentos pelo mundo, como os membros de Osíris”. Mas o que pretendia Gertrud Stein? Ela esperava libertar a ficção da tirania do tempo e expressar apenas a vida de valores. Mas fracassa.

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E agora, José?

Se não podemos acabar com a televisão nem com a criança, melhor aprender a conviver com uma e com outra. E aí estaremos de novo no ponto de partida. Porém, depois de um percurso sinuoso, melhor segurar o fôlego e manter a serenidade. A televisão não é um monstro capaz de liquefazer o cérebro das criancinhas. E não é também uma tela mágica neutra, que apenas distrai e diverte. Trata-se, isso sim, de um dispositivo complexo, para uma infância mais complexa ainda.

Televisão. E daí?

Depois de 97 artigos - um por semana em quase dois anos - propomos duas escadas de incêndio para o problema da televisão e criança. E vamos voltar às nossas primeiras premonições. Da mesma forma que em Farenheit 451, filme de 1966, dirigido por François Truffaut, o governo quer se livrar dos livros, que tornam as pessoas infelizes e improdutivas, deveria haver um filme que mostrasse o impacto exato de uma marreta ao espatifar todos os monitores de televisão. Mas não adianta, ninguém deixa que isso aconteça.

Criança: televisão versus internet?

Aparece uma nova tecnologia e logo começa a maratona comparativa entre o novo e o antigo, descrevendo vantagens e desvantagens de cada um. Algumas dessas comparações são tautológicas. Para ler o jornal, você usa os olhos e para escutar o rádio, os ouvidos.

Televisão ou internet?

Em um dos primeiro artigos de nossa discussão sobre televisão e infância, falamos sobre o a opção redutora “ou isto ou aquilo”, numa lógica excludente. De acordo com essa lógica, a televisão deveria desaparecer, para não prejudicar o livro e a leitura. E dissemos também que essa apreensão causada pelas novas tecnologias esteve sempre presente na história da humanidade. Exemplo disso foi o intenso debate na sociedade grega quando apareceu a nova tecnologia da escrita.

A hora do sono
e o resto da vida

Para muitos, a hora de dormir é o momento da revisão. Do que foi o dia. Do que foi a vida, ou melhor, do que vem sendo esta vida no início de vida. Na hora de dormir a criança se dá conta de tanta coisa acontecida. Sons, cores movimentos. Pessoas, escolas, jogos. E comodamente se inquire sobre o que está por acontecer

Histórias para crianças

Na hora de dormir, de olhos fechados, ouvia uma história. A voz vinha de longe, de dentro da própria história. Com seus medos e seus pavores E a voz vinha também de perto, de fora da história, cheia de amor e de segurança. A cada noite, um capítulo igual. A menor mudança era corrigida, pois o menino que ouvia estava atento. E cada noite, um capítulo diferente, no contar do pai e da mãe. E também de uma entonação quase imperceptível. Uma melodia lenta, como lento era o cansaço depois de um dia de trabalho.

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