Crônicas

Bali and Hotel Tugu Bali

Sergio Capparelli

San Vito al Tagliamento, Italy

 

The weary traveler arriving at his destination does not like a hotel with no ties to the environment that surrounds it. He also prefers a hotel that respects the cultural and economic context where it is located.
Bali, of course, represents the sea, with its large spaces, but also restraint and religiosity. Bali is a mystery, but also revelation. Landscape, but also movement. Popular culture, but also cosmopolitan values. And somehow, the Hotel Tugu Bali is a synthesis of all this.

 

Apartamento em Pordenone Giuseppe, Arzelina, Emanuelle, Cecilia Eva e Lívia Comida Telhados de Lijiang Opera de Chengdu

Domingo de chuva

No norte da Itália, tudo bem, com exceção do bunga-bunga do presidente do Conselho de Ministros, Silvio Berlusconi, que suja a imagem do país aqui e no exterior. Tudo muito bem, apesar do terremoto do Japão. Ou da contraofensiva de Kadafi, no norte da África.

Na verdade, a ameixeira que tinha posto suas primeiras flores no jardim dos fundos anda de ramos baixos. O calor dos últimos dias foi um falso anúncio de primavera. Ela soube disso muito tarde. Já tinha vestido suas roupas floridas e as raízes na terra úmida conversavam com os galhos a respeito de seiva, de flores e de vida. Veio o inverno repentino no domingo e tudo ficou em suspensão.

Tia Cora e o Anjo

Pouco antes de Vovó Zizinha morrer, chamou tia Cora à cabeceira da cama e disse:
-Cora, querida, agora é com você.
Dizem que Tia Cora arregalou os olhos, sem entender o que acontecia.
-Comigo o quê, Dona Zizinha?
-Sabe, Cora, considero nossa família muito complicada – e depois de uns instantes de silêncio - Agora é com Você.
Um anjo que voava por perto, pousou junto de Tia Cora e disse, com um vinco de preocupação na testa:
-Pode contar com minha ajuda, Cora. Vai ser muuuuuuuito difícil lidar com essa família.

E aí, Mao, tudo bem?

Sergio Capparelli

Negócio de Gerânios

Quando recebi o convite, me perguntei sobre o que falar. Meu negócio atual é com gerânios e falar sobre os gerânios de uma pequena cidade do norte da Itália, San Vito al Tagliamento, me levaria a falar de Berlusconi, controle de tevê e deboche. Deixei de lado os gerânios e na busca de um texto decidi utilizar a primeira pessoa, porque a vida é cheia de contradições que a pesquisa desconhece.

Gerânios de San Vito

O verão chegou de verdade. Dias quentes, tão quentes que nem se aguentam em tantas horas. Muitos dias nem amanhecem, quietos no calendário. Ainda ontem havia uma primavera com flores, que se esticava em ondas desde abril. Primeiro as de amores-perfeitos. Depois, as das glicínias. Ainda há pouco, uma onda maior, de  lavanda, afogou-se em seu próprio nome.

Para minha sacada escolhi gerânios.

Café Naonis

O nome do Café era Naomis e o povoado, Vallenoncello. No terraço, entre mesas verdes, uma sinfonia de cabelos brancos e grisalhos. Aquele senhor, por exemplo, que atravessa a rua, já o conhecia. Profissão? Encanador. Encontrou-o nas pagine giale. Tinha entrado desconfiado no apartamento, mas depois embolsara o pagamento do conserto hidráulico. Como pudera observar, todos se conheciam. Cumprimentos. Gestos e palavras soltos nessa manhã fresca depois do calor dos últimos dias.

A lua dentro do coco


Quando ouviu pela primeira vez a história de um macaquinho que queria pegar a lua não imaginava que estava para perder o sossego. O tempo passou.  E pela segunda vez ouviu a antiga história. Havia se aposentado e morava na China. Explicaram-lhe que se tratava de uma lenda chinesa. Não se importou com a explicação, porque Minas Gerais e a China são o mesmo lugar, com nomes diferentes.

listar todos »