Poemas Indígenas

E agora?

Entre os astecas havia homens reconhecidos por sua sabedoria. Para ensinar as outras pessoas eles utilizavam a poesia. Daí seu nome Tlamatinime, ou “homens com palavras”. Geralmente levantavam questões cósmicas, sobre o sentido do homem na terra, sobre a morte, a verdade e o sofrimento. Aos olhos de hoje, os versos que cantavam seriam considerados tristes e até mesmo metafísicos. Mas eram belos, nessa tensa relação com o céu e com a terra. Seus poemas e cantos são pistas para explicar por que a morte ocupa um lugar tão importante no cotidiano dos mexicanos. (Detalhe da arquitetura Nahuatl, foto: flickr)

O homem tem a verdade?

O homem tem a verdade?
Se não tem, nosso canto não é verdadeiro
Há algo estável e duradouro?
O que atinge seus objetivos?


Um dia devemos partir

Um dia vamos partir,
Uma noite desceremos à região do mistério.
Aqui chegamos apenas para nos conhecermos.
Somos passageiros aqui na terra.
Em paz e com prazer deixe nos viver nossas vidas,
Venha, que nos alegremos.
Não permite o irascível assim fazer. Porque a terra é vasta.
Será que ela dura para sempre?
Será que ela também morrerá um dia?


Sozinho como uma nuvem

O que cantaremos, meus amigos?
Com o que nos alegraremos?
Lá vive apenas nossa canção,
Onde nasceram nossos antepassados.
A terra onde eles viveram...
Eu sofro aqui na Terra...
Aquele que dá a vida oculta

Homens com um esquife e uma arca...
Mas devo olhá-los? Devem meus olhos enxergar
O rosto de meu pai e de minha mãe?
Podem seles me oferecer sua canção,
Suas palavras, que tanto busco?


Canção da amizade

Olho com ódio para a morte e sofro...
Não importa que pedras preciosas
A mesma trama unem,
Não importa que sejamos unidos
Como gemas de um mesmo colar...
Meu amigo, meu caro amigo,
Vamos nos amar, pelo amor de Deus.
Como você sabe, eu também sei que vivemos apenas uma vez.
Um dia devemos partir, portanto.
Chegamos aqui apenas para nos conhecermos,
Só de empréstimo estamos aqui na Terra...
Assim mesmo aqui vivemos em desalento
Aqui, onde somos observados e espiados lá de cima.