Limeriques

Nonsense, Edward Lear e Limeriques

por Sérgio Capparelli

O inglês Edward Lear publicou em 1846 um livro intitulado “A Book of Nonsense”, chamando a a atenção para uma particularidade do humor na literatura inglesa. Seu contemporâneo, Lewis Carrol, também escrevia nessa época livros como Alice no país das Maravilhas e Alice através do espelho, que também fazia uso de nonsense - não a falta de sentido, mas antes, a frustração devido a sua falta. No texto a seguir, você poderá saber mais o que é nonsense e, principalmente, sobre Lear, que gostava de vestir seu nonsense com limeriques.

 

As vezes nos deparamos com a palavra nonsense e adotamos o caminho mais fácil para compreendê-la: algo sem sentido. Ou conforme o dicionário Houaiss uma frase, linguagem, dito, arrazoado etc desprovido de significação ou coerência; absurdo, disparate.
Interessante observar que essa definição é um nonsense, ou seja, como pode um arrazoado, construído, portanto, com a razão, ser não razoável. Um arrazoado não razoável seria nonsense?
Houaiss prossegue e na segunda acepção do termo diz “Cine Lit. Filme ou escrito que recorre a elementos surreais, a situações ilógicas, absurdas etc. (Irmãos Marx, reis do nonsense no cinema) (ou o nonsense em Lewis Carrol”. Ele não fornece um exemplo dos Irmãos Marx, mas aqui temos um:
Quando eu estava na África, conta Groucho Marx, eu matei um elefante de pijama. (Depois de um tempo...). O que esse elefante fazia de pijama ninguém conseguiu me explicar.
Ou um de Lewis Carrol, que cria versos nonsense a partir de palavras nonsense, ou seja, palavras que normalmente não se encontram em dicionários, ou neologismo sem um significado preciso. A gramática é correta, mas a semântica soa estranha. O texto a seguir é a primeira estrofe do poema Jabberwocky, originalmente integrado ao texto Alice através do espelho, em tradução de Augusto de Campos.

 

`Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe:
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

 

 

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

 

 

Mesmo assim estamos ainda no começo do caminho do que é nonsense, porque em vez de definir, exemplificamos, o que não deixa também de ser uma boa estratégia diante de dificuldades.
Houaiss, por outro lado, quer apenas explicar um verbete e não escrever um ensaio sobre a literatura nonsense inglesa. Exigir mais de um dicionário seria nonsense, e, ao que parece, também buscar uma definição de nonsense – outro nonsense! Porque esse tipo de linguagem aparece no dia-a-dia sem nos darmos conta:

Primeiro exemplo: Morro de rir mas não acho graça.
Segundo exemplo: Não sou a favor, nem contra: muito pelo contrário.
Terceiro exemplo: Sonhei na semana que vem...

Robert Benaymoum, numa introdução a uma antologia de nonsense prefere esse caminho indireto, começando com alguns versos conhecidos na Inglaterra, em tradução livre:

A um moleque plantando bananeira
Que ria, vendo o mundo como asneira,
Eu disse: de pé, fica de pé, agora!
E ele, caçoando, respondeu: senhora,
De pé o mundo é uma grande desgraça
De que morro de rir sem achar graça.

O nonsense seria a arte de ver o mundo de cabeça para baixo? Benaymoum acha que sim. Ele diz que “esses versos anônimos, presentes nas creches inglesas, dão talvez a definição mais simples e a mais completa de nonsense” (Benaymoum, 1977:13). Ele discorre sobre essa arte de plantar bananeira para observar o mundo e logo depois diz que essa necessidade de desequilíbrio nas crianças paralela à tendência de se surpreender deixa raízes profundas no mundo dos adultos.
No entanto, ver o mundo ao contrário é apenas uma das características do nonsense. Ver o mundo ao contrário pressupõe uma contra-lógica invariável, pois sempre estaremos enxergando o mesmo mundo, mas ao inverso.E nonsense é um pouco mais do que simplesmente o inverso. Mesmo pensar ao contrário. Nonsense não é apenas ver o mundo de ponta-cabeça. Talvez a imagem mais correta em português seria um mundo sem pé nem cabeça, pensante, com idéias com os pés na cabeça.
Idéias sem pé nem cabeça: o Barão de Munchhausen, quando, depois de uma nevasca, procurou um lugar para dormir, atando a rédea do cavalo em uma barra de metal no chão. No outro dia, abriu os olhos, e seu cavalo tinha desaparecido. Deu-se conta então que estava na praça da cidade e que os habitantes olhavam curiosos para um cavalo pendurado pelas rédeas na haste de metal no alto da torre da igreja. Tinha nevado tanto que a cidade fora encoberta, inclusive a igreja.Durante a noite a neve tinha derretido. Ele precisava agora recuperar seu cavalo para continuar a viagem.
Quer dizer então que o mundo sem pé nem cabeça é um material indispensável para a construção do nonsense? Aí é que está o problema. Não, nonsense não é feito de mundo sem pé nem cabeça. Ele é feito com o mundo do dia-a-dia. O escritor é que não tem pé nem cabeça. E isso quem diz é o escritor católico norte-americano Chesterton, que dá o exemplo de uma árvore. Uma árvore? Existe objeto mais natural do que uma árvore? Não, não existe, a não ser outras árvores ou outros objetos, tão naturais quanto ela. Se naturalmente iguais, como pode um ser mais natural. Corresponderia a dar um nó na cabeça da lógica, o que também é nonsense. Sim, nó na cabeça também é nonsense. Voltemos a Chesterton e a árvore em um parque sem nó e sem cabeça:
Essa árvore não deixa ninguém estupefato. Nem surpreso. Todo mundo que conhece árvore sabe que ela está ali, simplória, um elemento dado na natureza. Ali, simplesmente. E assim fica até que alguém a vê como “uma prodigiosa onda da terra viva, jogando-se para o céu, por nenhuma razão particular, deixando estupefato o guarda do parque” (Chesterton, 1902). Pronto, a árvore de quem a viu desse jeito perdeu as folhas, tornou-se linguagem e nonsense.
Essa árvore nonsense é feita de palavras. Ela é linguagem. Ela saiu do senso-comum e entrou no mundo maluco, debatendo-se como mariposa na vidraça. Ela quer a luz - a lógica - mas trata-se de uma mariposa de sonho. Ou o nonsense seria a própria vidraça, que pertence aos dois mundos, o da mariposa e o da luz? De fato, como a própria vidraça o nonsense, ali, presente, seria apenas a tensão entre esses dois mundos.
Talvez uma imagem mais brasileira, a do futebol, facilite o entendimento. Neste caso, o nonsense opera no meio do campo entre a defesa e o ataque. É ele que recolhe a bola dos sentidos, que lhe chega dos dois defensores a postos na área da lógica e a passa para o centro-avante que penetra na pequena área do sonho. Na pequena área do sonho, a bola é rebatida por um dos zagueiros, para quem essa pequena área do sonho de seu adversário é uma área de lógica, da sua lógica: rebater a bola, portanto. A bola é então devolvida para a área de sonho, o outro sonho, por sobre o campo verde incolor de grama artificial – o outro, aquele mesmo! – e recebe o ataque da defesa. No fim, tudo acaba bem, com o gol contra, feito pelo juiz com uma camisa incolor de cores trocadas, para passar desapercebido. Ou será o contrário? Pode ser. Talvez o nonsense não seja a bola, nem dois times, nem o juiz, mas a tensão da bola picando, picando, picando, na marca que divide a lógica do sonho.
É por isso que Lisa Ede diz: o nonsense é uma construção verbal auto-reflexiva que funciona através da manipulação de uma série de tensões internas e externas (cit. in Tigges, 1987:26). Ela mesma amplia essa afirmação, ao afirmar, no entrecho seguinte, que o nonsense tem a faculdade de manter tensas essas duas extremidades, unindo ilusão e realidade, ordem e desordem, explorando uma grande quantidade de emoções, idéias e atitudes, com um equilíbrio precário entre o pesadelo da lógica e a lógica do sonho (Iden:26).
Em resumo, o nonsense não é a falta de sentido, mas antes, a frustração pela falta de sentido (Banaymoum, 1977: 13 e 14). Dizem também que o nonsense é próprio do humor inglês ou de um tipo de literatura feita para jovens ou crianças, sendo raro esse tipo de produção em outros países. E no caso da literatura para crianças e jovens na Inglaterra, o nonsense aparece tanto em livros de prosa e como de versos, sendo Lewis Carrol e Edward Lear seus representantes mais conhecidos. Lear carregou de nonsense seus poemas longos, mas especialmente em poemas curtos, chamados limeriques: poemas de cinco versos rimados - aabba – geralmente com características jocosas, humorísticas e irreverentes. 
Limeriques

Mesmo não importando o número de sílabas de cada um dos cinco versos, uma técnica importante dos limeriques é o número de acentos tônicos. Os dois primeiros versos têm três acentos, os dois seguintes, dois acentos, e o último, três acentos novamente. Geralmente, o primeiro verso apresenta um protagonista, com um adjetivo que o qualifica. Em seguida, uma trama, ou enredo, em que esse personagem pratica uma ação. Os dois versos seguintes sintetizam o que se está contando e o último volta novamente ao protagonista, realçando a qualidade desse protagonista.

Exemplo de um limerique de Edward Lear:

 

There was an Old Lady of France
Who taught little ducklings to dance;
When she said, « Tick-a-tack ! »
They only said, « Quack ! »
Which grieved that Old Lady of France.

 

 Havia uma velha senhora na França
Que ensinava aos patinhos uma dança
Ela dizia: tique-taque
Respondiam: quac-quac
Deixando triste a velha senhora da França. 
 

Muitos acham que limerique tem esse nome porque apareceram pela primeira vez na cidade irlandesa de Limerick.Ou que o nome foi dado a esse tipo de versos aos soldados irlandeses que voltavam para a Irlanda no século XVIII, vindos da França. Mesmo que a origem do nome seja controversa, ele surgiu muito ante do século VIII, pois eles podem ser encontrados em parlendas inglesas antigas, canções de ninar já na época de Shakespeare.
O seguinte limerique, de autoria desconhecida, define-se bem:

 

The limerick packs laughs anatomical

In space that is quite economical,

But the good ones I’ve seen

So seldom are clean,

And the clean ones so seldom are comical

 

 

O limerique empacota riso anatômico

Em um espaço até bem econômico

De muitos, digo com acerto

Raramente são bem feitos

E os bem feitos quase sempre são cômicos.

Outro exemplo, mostrando um metalimerique tem origem na tradição cômica assinalada acima, mas não uma tradição cômica qualquer. Estamos falando aqui de nonsense, que muitos dizem só existir na Inglaterra e em alguns países de língua inglesa. O limerique em questão discute a técnica de fazer limeriques, no que diz respeito ao conteúdo. O exemplo abaixo, também de autor desconhecido, mostra um diálogo do limerique com seu próprio formato.

Havia um poeta muito hábil no Japão
Cujos limeriques causavam decepção
Quando perguntado por quê
Ele respondeu: veja você:
Preencher a última linha com o maior número possível de sílabas é minha compulsão.

Engraçados, absurdos ou inverossímeis, os limeriques tornaram-se mais conhecidas durante o romantismo e pós-romantismo inglês, especialmente com Edward Lear, que publicou em 1804 “Livro de Nonsense”. Nessa época, ele e Lewis Carrol, de Alice no país da maravilhas eram contemporâneos, com uma produção literária dirigida às crianças. Não é à toa que até hoje o nome dos dois integra qualquer estudo sério sobre literatura infantil, explorando o veio do “nonsense”.
Edward Lear nasceu em Londres em 1812, numa família numerosa – ele era o vigésimo de 21 irmãos de um pai que foi à falência, empregou-se no mercado financeiro e terminou preso por dívidas. Foi criado por sua irmã Ana, vinte anos mais velha do que ele e teve uma infância normal, apesar de ser epiléptico. Foi Ana que o ensinou a desenhar pássaros, flores e conchas, e nessa época ele também fazia paródias de poetas conhecidos.
Aos 19 anos 19 anos conseguiu emprego na London Zoological Society, para fazer ilustrações de pássaros. Na mesma época, foi convidado pelo Duque de Denby para morar e trabalhar nos seus domínios, perto de Londres, registrando em desenhos o cotidiano de sua mansão. O duque tinha netos pequenos e foi contando em versos histórias engraçadas sobre velhas senhoras e senhores e senhoritas que Edward Lear reuniu material para seus livros de nonsense.
Edward Lear viajou muito. Antes dos 30 anos, tinha morado em Roma, Sicília e em outras cidades italianas, morando durante muito tempo em San Remo. Hoje, nos tempos da Internet, vivemos submersos em mensagens eletrônicas, achando que só agora as novas tecnologias tornaram viável uma troca de mensagens em quantidade e velocidade. Mas foi Lear quem cunhou a expressão “snail mail”, angustiado porque os correios eram lentos. Mas isso não quer dizer que as cartas que trocava com seus amigos e parentes eram poucas. Seus biógrafos, entre eles Peter Levi, diz que ele escrevia e enviava cerca de 20 cartas por dia e quando morreu foram encontrados 40 grossos diários (cit. in Roberts: 1995).

Alguns limeriques de Edward Lear:

 

Um infeliz velhinho do Peru
olhava sua mulher fazer angu
mas ela se enganou
e na panela cozinhou
esse infeliz velhinho do Peru.

 

 

There was an Old Man of Peru,
Who watched his wife making a stew;
But once by mistake,
In a stove she did bake,
That unfortunate Man of Peru.

 

 

Era uma vez um velho e seu nariz

Que sempre advertia: “Se você me diz

Que o meu nariz é comprido,

É porque vive iludido!”,

O velho orgulhoso com seu nariz.

 

(tradução deste poe,a: Marcs Maffei, in Adeus ponta do meu nariz. São Palo, Hedra, 2003, p. 9)

 

There was na Old na sith a nose,

Who said,”If you choose to suppose,

That my nose is too long,

You are certainly wrong ! »

That remarkable an with a nose.

 

Uma pobre menina de Bom Despacho

tinha os seus louros cabelos em cacho

Sobre árvores cacheavam

E pelo mar avançavam

Expansiva, essa mina de Bom Despacho.

 

 

There was a Young Lady of Firle,

Whose hair was addictedto curl;

It curled up a tree

And all over the sea,

That expansive young Lady of Firle.

 

Havia um velhinho em Taipé
Que não podia ver seu pé
Disseram-lhe: é seu pé
Ele exclamou: ah, é?
Esse desconfiado velhinho de Taipe

 

 

There was an Old Man of th’ Abruzzi,
So blind that he couldn’t his foot see;
When they said, ’That’s your toe,’
He replied, ’Is it so?’
That doubtful Old Man of th’ Abruzzi. 
 

 

Havia um alegre velhinho no Japão
Que andando a cavalo caiu no chão
Partiu-se em dois
e o colaram depois
Esse escolado velhinho do Japão. 
 

 

There was an Old Man of Nepaul,
From his horse had a terrible fall;
But, though split quite in two,
By some very strong glue,
They mended that Man of Nepaul.

 

Depois de Edward Lear, escritores de diversos países escreveram limeriques para crianças, sempre buscando o lado engraçado de um objeto, de uma pessoa e, como em todo nonsense, utilizando técnicas descritas pela literatura. No seu livro Anatomia do nonsense literário, Tigges diz que o nonsense vitoriano é mais do que um simples jogo e que o nonsense não é uma negação do sentido, mas o que possibilita a construção do nonsense. Ele cita algumas características na construção do nonsense literário, a partir de Petzold::
1. Acumulação de palavras e conceito sem significado – incongruência adtiva;
2. Ausência de causalidade no pensamento e na ação;
3. Expressão consciente de trivialidades;
4. Apropriação consciente, mas errada, das palavras;
5. criação de novas palavras sem sentido definido (Petzold, cit. in Tigges, 1987:28).
Essas características são encontradas facilmente nos exemplos limeriques de Lear, dados anteriormente, mas também em construções de outros autores, como por exemplo o italiano Gianni Rodari:

 

Um pequeníssimo senhor de Como
uma vez subiu no Duomo;
E quando lá em cima chegou
A altura não mudou
Daquele microssenhor de Como 
 

Tradução deste limerique: Antonio Negrini, in Rodari, G. Gramática da Fantasia. São Paulo, Summus, 1982, p.46.

 

Un signore molto piccolo di Como
una volta salì in cima al Duomo
e quando fu in cima
era alto come prima
quel signore micropiccolo di Como.

 

 

Um hábil cozinheiro de nome Cris
Saiu para comprar uva em Paris
Assim, em vez de assados
Preparou ovos estrelados
Esse louco cozinheiro chamado Cris. 
 

 

Un abile cuoco di nome Dionigi
Andava a comprare le uva a Parigi,
così invece di semplici frittate
faceva "omelettes"molto raffinate
quel furbo cuoco chiamato Dionigi.

Em Gramática da Fantasia, Gianni rodari exemplifica a construção do limerique, que geralmente mantém sua estrutura, conforme já indicado
. o primeiro verso apresenta o protagonista
. o segundo verso indica sua qualidade
. o terceiro e o quarto funcionam como predicado
. e o quarto retoma o primeiro, como epíteto e realçando a qualidade do protagonista.

Rodari observa que algumas modificações são formas alternativas da estrutura.
No segundo verso, por exemplo, a qualidade do personagem pode ser indicada não apenas por um simples atributo, mas por um objeto que ele possui ou por uma ação que ele executa (Rodari, 1982:46) E acrescenta que o terceiro e quarto versos, além de realizarem o predicado, podem estar reservados à reação do espectador.
Tomando o exemplo anterior:
“Primeira operação: escolha do protagonista
1) Um pequeníssimo senhor de Como
Segunda operação: indicação de uma qualidade expressa por uma ação.
2) uma vez subiu no Duomo;
Terceira operação: realização do predicado
3 e 4) e quando lá em cima chegou/ a altura não mudou
Quarta operação: escolha do epíteto final:
5) daquele microssenhor de Como” (Rodari, 1982:46)

A escritora brasileira Tatiana Belinky tem um livro de limeriques intitulado “Limeriques dos tremeliques”. Ao contrário de outros limeriques, como os de Rodari, ela toma mais liberdades quanto à estrutura indicada acima, além de mostrar, explicitamente, que se destinam às crianças, pela simplicidade da linguagem e dos jogos próprias deste tipo de expressão. Isso mostra que o limerique deixa de ser uma forma fixa, mudando conforme o tempo e a sensibilidade dos escritores.
Dois exemplos de limeriques de Tatiana Belinky:

Um poema que é “Limerique”

Pode ser bembrega ou ser chique

Mas quem fala agora

Alto e sem demora

Com vocês, sou eu, o “tremelique”.

Eu ataco os preocupados

Nervosinhos, meio assustados

Que olham em redor

Com certo temor

Volta e meia sobressaltados.

“Limeriques dos tremeliques” cria um personagem, chamado Tremelique, que percorre todos os 13 limeriques, que funcionam como uma narrativa, em que cada capítulo é composto por um limerique, até o último, onde se revela que Tremelique na verdade é Caíque, que tem o apelido de Zé Tremelique. É uma maneira diferente de retomar o Lear do século XIX e aterrissá-lo no século XXI, agora, sim, numa industria cultural consolidada, em um mercado que se especializa em nichos de consumo, como o das crianças.

 

Bibliografia

BELINKY, T. Limeriques dos tremeliques. São Paulo, Biruta, 2006.

BENAYMOUM, R. Le Nonsense. Paris, Balland, 1977.

CHESTERTON, G. KI. The defendant. Londres, R. Brimley Johnson, 1902. O texto foi tirado da edição do Project Gutenberg reroduzida em Nosenlit.org.

TIGGES, Wim. Explorations in the field of nonsense. Amsterdã, Rodopi,1987.

TIGGES, Wim. Anatomy of Literary Nonsense, Amsterdã Editora Rodopi, 1988.

PENDLEBRY, Kathleen Sarah. Reading Nonsense: A Journey

through the writing of Edward Lear. Tese de mestrado apresentada em novembro de 2007 na Universidade de Rhodes

ROBERT, R. Edward Lear: a biography. Documento eletrônico em http://findarticles.com/p/articles/mi_m1571/is_n27_v11/ai_17254018/ , acessado em 8 de junho de 2009.

RODARI, G. Gramática da fantasia. Trad. Antonio Negrini. São Paulo, Summus, 1982.